quarta-feira, 10 de junho de 2009

A Força dos Atores e Atrizes



Responda: Porque as novelas, cinema e teatro ainda fascinam tanto? Porque lá existem atores e atrizes que reproduzem todo ou em parte o universo que nós vivemos, seja de forma glamurosa, seja de forma trágica. Hoje em dia qualquer menina bonitinha com 12 anos quer ser atriz, não é bacana? Claro, não só pela fama e o dinheiro que a profissão traz, mas também de poder representar a realidade para milhares de telespectadores.


Quando comecei a fazer teatro entre 79 e 80 era um negócio muito mal visto. Pra fazer laboratórios, no velho Santa Roza, todos os sábados, eu enfiava chuteira e meião e dizia pra minha mãe que ia pro futebol. Ela hoje ri disso e até agradece porque eu seria um péssimo centro avante. Mas “era feio” fazer teatro na minha época de jovem. O conceito era que os meninos iam virar “viados” e maconheiros e as meninas lésbicas ou putas. Vejam como o tempo mudou: hoje as mães levam seu filhos com certo “talento” pra os cursos de teatro na cidade, ou até mesmo pra se livrar da energia do “pestinha” nas férias.

Mas não é fácil a vida de ator, pois tem que malhar, estudar de tudo sobre a arte de representar, ler muitas peças clássicas e modernas e estar sempre com o corpo em trabalho físico e mental pra agüentar aquelas horas em cima do palco, sob fortes luzes em cena.


Depois do teatro fui fazer TV. Bem, comerciais para TV. Acho que fiz uns 100 ou cheguei bem perto.Umas campanhas muito boas como a do FreeShopping criadas pelo, (já no andar de cima) publicitário Chico Mozart, trabalhei com Alberto Arcela, Genival Ribeiro, PC, Zé Guilherme, Toni e Boni (Natal-RN), Chico Sátyro, muita gente do Recife, fiz pro interior de São Paulo e em todas as capitais nordestinas teve rodando VT comigo. Bacana, sabe por que isso? Porque os caras apostaram no ator e na resposta que eu dava pra vender aqueles produtos. Hoje, poucos atores e atrizes aparecem na TV fazendo comerciais.


Depois das famigeradas “cartelas” em que um carinha que tem um computador bom e domina uns programas, a TV virou só cartela. Números e figuras se mexendo, sons estridentes, cachê só do locutor. Virou uma mesmice só. Sai barato pro produtor, pra agência (que não contratam atores) e pro cliente principalmente “amigo velho, velho amigo!”


Mas percebam hoje a força que tem um ator ou uma atriz num comercial de TV. A agência que tem a conta do Shopping Tambiá teve a felicidade de encontrar um casal que já virou a marca da casa (como aquele garotinho era). Buda Lira e Ana Luiza Camiño estão perfeitos na brincadeira do dia dos Namorados. Chama a atenção de cara, pela naturalidade deles dois. E que tal o Armazém Paraíba quando aposta em Fernando Teixeira e Evaldo Souza (O dono da bodega e o “fiadeiro”) ?? Eles dão show com o humor popular e marcante, deixando bem visível a proposta de serem engraçados e “passar o recado plenamente”!

Pois é, a força que esse povo tem, quando fazem suas peças de teatro é a mesma que eles empregam num VT de 30” e o resultado é sempre gratificante. Bem que as agências e produtoras poderiam apostar mais no nosso elenco, até porque quando o povo vê Buda, Fernando, Ana ou Evaldo na rua, no bar, na fila de banco, vai logo associar à marca que eles estão “vendendo”. Viva a força do ator e da atriz da Paraíba!

sábado, 9 de maio de 2009

INTERNET É MUNDO DE NINGUÉM MESMO ou O “SONHO DE CAMPINA” VIROU PESADELO


Sempre tive a maior cisma com internet. Cisma autoral, diga-se de passagem. Não tem como você controlar uma obra sua dentro do mundo virtual. Muito difícil. Na época da guerra do Iraque, achei (não sei como) pelo Google uma charge minha num blog de um moleque em São Paulo. Ele tinha postado um monte de material sobre Osama Bin Laden e no meio estava uma charge minha (A Doce Infância de Osama...). Detalhe: ele tinha apagado a assinatura. Mandei um comentário reclamando, não da publicação, mas da falta de credito, mas não deu em nada.
Sempre digo pra amigas minhas “reboculosas” (gostosas, na gíria “brasa-mora” dos anos 60-70) que postam fotos de biquíni no Orkut... ” Cuidado!Isso vai parar em algum site pornô ou num catálogo on-line de garotas de programas! ”. Algumas me “ouvem” e tiram, outras não estão nem aí.

mais ou menos um mês, fiz uma brincadeira com o Tsunami e Campina Grande direto no meu Orkut, intitulado “Sonho de Campina Grande” (link: http://www.orkut.com.br/Main#Album.aspx?uid=16004763381855508723&aid=1239766725).
Passei uma semana buscando fotos, fazendo montagens, criando textos, enfim, fazendo humor que é o que eu gosto. Publicado no Orkut, foi uma coisa danada de boa. Todo mundo adorou, elogios bacanas e tudo mais. Até alguns Campinenses me ligaram elogiando!! (fale de mal, mas fale!).

Uns dois ou 3amigos me pediram pra fazer um Power Point que de pronto autorizei, desde que dessem o crédito. Bom, enquanto tava no Orkut eu tinha um certo controle, depois que o Power Point foi feito, virou viral. Todo mundo comentando sobre o e-mail que tinha recebido meu.

Detalhe 2: Não mandei e-mail, nem fiz Power Point, mas a coisa se espalhou e lá, pela graça de um amigo de fé, constava meu nome nos créditos finais.
Até eu mesmo recebi e claro, orgulhoso fiquei com essa coisa se espalhando. Uma amiga recebeu em Portugal vindo dos EUA! (não temos controle de jeito nenhum). Só que agora eu recebi de um amigo o mesmo PPT sem a devida assinatura e esse meu amigo dizendo: “Olhe só o que fizeram em cima daquela sua piada do show”. Explico: Esse material sobre Campina já faz parte do meu show desde 2006 e eu resolvi ampliar e tornar um pouco mais “real” através das montagens no Photoshop.

Pois é. O que era meu, feito por mim ganhou o mundo e eu perdi a assinatura. Que coisa não? Isso é só pra dizer do cuidado que devemos ter com nossos originais na internet. Textos, desenhos, pinturas, fotos...Tudo! Todo cuidado é pouco, a menos que você não tenha cuidado com o que cria.


Conclusão: Não fico puto...Fico chateado. É uma pena que tenha gente desse nível. Mas,sabe? Se o cara copiou é porque tava BOM e se não colocou a minha assiatura é porque ele queria ter feito e não tinha talento para tal. É isso aí!

P.S – Se receberem um material PPT intitulado “Sonho de Campina Grande” sem assinatura, mandem um e-mail de volta dizendo que isso tem dono!

quarta-feira, 29 de abril de 2009

O RESULTADO DO ENEM-PB E A RELAÇÃO COM “O APRENDIZ”



Uma escola da Paraíba obteve um dos piores índices nas notas do Enem – Exame Nacional do Ensino Médio. Vergonhoso. A escola João Cunha Vinagre, do município do Conde foi a 36ª pior entre as 26.665 outras escolas brasileiras. As melhores ficaram no sudeste do país e na Paraíba, as mais bem colocadas obtiveram notas “arrodeando” o 170º lugar. Aqui, a pior colocada teve média total de 43,4 e a melhor colocada ficou com media 69,56.


Uma é publica municipal a outra privada, mas sinto que a diferença não foi tão grande assim entre elas. Pouco mais de 26 pontos separam uma educação da outra. Pouco, muito pouco, para serem escolas tão distintas. Também a mais bem colocada do resultado geral do Enem, uma escola privada do Rio de Janeiro ficou com media 80,58, não ficou tão distante da nossa melhor. Apenas 11,02 pontos às separam. Pouco, muito pouco.


O problema é que há anos que a qualidade do ensino vem tirando notas baixas nos boletins sociais. Professores mal pagos, alunos desmotivados, só pra não ir mais fundo neste clichê. Quando fiz vestibular pra Comunicação e passei pra Educação artística em 81, obtive nota 7,9 e era uma nota fraca pra fazer Jornalismo, por isso entrei na segunda opção. Hoje vejo alunos vibrando com 5,9...4,6...3,9. A coisa ta feia. Porque a escola antes era uma extensão do lar, um importante aliado, pois tínhamos nos professores ícones da sabedoria igualando-os aos nossos pais em devida proporção. Com o tempo essa imagem foi sumindo e a do aluno também. Quantas vezes hoje o estudante faz festa quando o professor entra em greve, ou quando não tem aula na escola ou quando é um feriadão? Pra nós a ausência da escola era uma espécie de pedaço que saía da gente, daí a sua grande importância.


Coincidentemente, esta semana o paraibano Rutênio, único representante das terras tabajaras foi demitido do programa “O Aprendiz” liderado pelo publicitário Roberto Justus na Rede Record. E sabem por que ele foi demitido? Por erros de português – escreveu, por exemplo, “esculto” no lugar de “escuto” – Até Justus ironizou perguntando-o se havia mesmo freqüentado a faculdade. Humilhante. Tanto quanto o nosso 36º lugar como pior escola publica do país.

de ter uma reviravolta, porque já é tarde. A máxima “O professor finge que ensina e o aluno faz de conta que aprende” continua e não é só aqui na terra de Augusto dos Anjos não. NÃO! É no Brasil todo. Mas precisamos salvar os anjos e os augustos da desnutrição educacional na Paraíba.
Não vi a cena de Justus demitindo Rutênio, mas deve ter sido realmente deprimente. Imagino o sarcasmo do dono do Aprendiz mandando o nosso “Paraíba” de volta à terrinha, simplesmente por não ter escutado, lido e escrito direito.


Isso dói em mim e deveria doer em muito mais gente que precisa definitivamente ter que pegar as rédeas da carroça desembestada da educação e tira-la do rumo errado que tomou. Para que no futuro, números do Enem e nem humilhações via satélite, no horário nobre não nos tornem ainda mais pobres.

BLECAUTE É COISA DE CIDADE POBRE OU EM GUERRA (leia antes que as luzes apaguem!)


Acordei cedo, como sempre (pelas 3 da manhã) e notei um fenômeno (só posso chamar assim) na nossa cidade: em 12 horas tivemos o terceiro “blackout” (ou blecaute) demorado. Na terça (28) foram dois, um às 15 e outro às 20 horas e na quarta, mais um, de madrugada. Fazia tempo que não via tantos em tão pouco tempo e por tanta duração e isso é porque nesta mesma semana, a Energisa, nossa companhia de energia elétrica, estará realizando um evento internacional de cinema.
Não sou contra que se apaguem as luzes da cidade de forma ocasional ou técnica, posso até dizer que o segundo blecaute, o da noite, foi até interessante. Nunca tinha visto, do alto do décimo andar do Edf. Caricé, a cidade toda apagada assim, apenas com as luzes dos veículos. Deu pra ver (que ainda temos) um céu estrelado mostrando detalhes, as pessoas aqui no prédio, botaram cadeiras nos corredores e, à luz de velas, conversavam com a vizinhança. Eu “arranhei” meu violão e, enfim, ouvia-se o barulho do silêncio. Voltamos àquele ar de província que dizem que temos. Quando a luz voltou, foi aquele grito geral de alegria de quem já pode ir pra televisão ou de alívio tipo “espanta as almas”.
O terceiro blecaute aconteceu quando senti o ventilador parado de madrugada. O barulho do silêncio já era ensurdecedor, olhei na janela e já não tinha mais a luz dos veículos, a cidade estava um profundo “brêu”. Pensei na guerra.
Ednaldo do Egypto me dizia que em 1945, em plena segunda guerra, João Pessoa tinha as luzes desligadas para não atrair a mira dos inimigos nazistas, embora estivessem há milhares de quilômetros daqui. Igual a Paris, só faltavam as sirenes e as bombas caindo.
Mas acho blecaute coisa de país subdesenvolvido. A gente vende energia pra alguns países como é que falta na nossa cidade? Além disso, pense nos transtornos de três blecautes em 12 horas?? Elevadores não funcionam, internet também não, máquinas ligadas à pacientes nos hospitais são apagadas, rádios, liquidificadores, jornais, cinemas, TVs, tudo é nada! Até os celulares não deram alô.
Sem contar com o perigo dos meliantes que, se já usam a noite iluminada para agirem, imaginem com blecaute? Matutei também que poderíamos estar em plena crise energética, um apagão e a nossa empresa encarregada “mineiramente” não nos avisou. Mas foi um apagão quase geral, porque daqui do décimo andar dava pra ver algumas luzes lá pras bandas da zona sul da cidade. Depois foi explicado que foi um acidente.
Então me veio à cabeça um pensamento interessante com esse blecaute: Se você tem um computador de 10 G com 500 G de memória, ou um super som de última geração, ou ainda, uma TV de 55 polegadas, Full HD com um aparelho de Blue Ray conectados com cabos RCA banhados a ouro 18 k? Não lhe adianta nada se você não tem...eletricidade pra ligar tudo isso!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Um artista que domina a arte de fazer rir - Jamarri Nogueira


"Ainda há na Paraíba quem duvide da capacidade lúdico-interpretativa de Cristovam Tadeu. Há até quem duvide das suas qualificações humorísticas. Isso é o resultado claro e inconteste de dois grandes pecados cometidos pelo artista: ter nascido no estado e ter desenvolvido sua carreira na grande João Pessoa.

Cristovam é o que costumam chamar de "prata da casa". E à prata da casa não é comum dar o merecido valor. O humorista (!) é uma antena frente às acontecências regionais e aos fatos relevantes da política, economia e cotidiano locais.

Seu verbo faz-se riso quando o bote cômico mimetiza os ruídos factuais comuns à estrutura social. O humor de Cristovam está nas imitações precisas de personalidade paraibanas. Niguém tem imitação mais exata do ex-arcebispo Dom Marcelo Carvalheira. Ninguém!

Cristovam é sutil. É um piadista delicado, que se distancia do linguajar chulo de evita o palvreado desbocado como elemento de marcação ritmica das suas anedotas As lorotas de Cristovam tem um quê de anglicano. Inteligente. Feroz e irônico.

Por estes e outros motivos, assistir ao espetáculo de Cristovam Tadeu éum exercício de entrega à gagalhofrenia. Recomendo."

Jamarri Nogueira

Editor - A União (publicado em 3 de Abril de 2009)

quarta-feira, 4 de março de 2009

A Política da Lapinha

A Paraíba tem certas coisas que não dá pra entender. Nenhum raciocício mais lógico do mundo consegue "sacar" de como a gente tem uma tendência a uma enorme "pequenêz", principalmente no campo político. Fabricamos aqui o que chemarei de "politica da lapinha" . Lapinha ou Pastoril é uma manifestação popular onde dois grupos procuram chamar mais atenção para capturar votos dos assistentes. Meninas vestidas de vermelho, ou encarnado, como queiram, disputam os votos, aplausos e algumas moedas contra outras meninas vestidas de azul. Lado a lado, mediadas pelo "velho" vão em busca cada grupo, do sucesso. É uma festa folclórica muito popular no Nordeste brasileiro. Pois é assim que sinto a política da Paraíba. Uma verdadeira Lapinha onde sempre há uma tendência de sempre termos dois (ou mais) grupos politicos. Mas geralmente dois. Senão vejamos: Braga X Burity , Burity X Ronaldo, Ronaldo X Maranhão, Maranhão X Cassio e agora estão dividindo um grupo politico que aparentemente estava até agora coeso. Querem uma nova gangorra: Maranhão X Ricardo.



Jornalistas, analistas politicos, adversários, todos agora, especulando contra o futuro do meu Estado, desejam o rompimento de duas pessoas que ao meu ver estavam juntas...Ou não estavam? Ou aquilo tudo era "fachada"? Aquela convivência, abraços, presenças em palanques e programas eleitorais de TV era tudo "falso"? Se for, não entendo mais nada. Na hora em que o Estado precisa crescer com governo estadual e a principal cidade, a capital João Pessoa, em possível união tudo vai por água abaixo? Ah, Camará!Camará! A gente sabe no que isso vai dar!



Com governos initerruptos do mesmo partido o Ceará hoje é uma potência, Pernambuco vive momentos de enriquecimento visível pela junção de partidos até mesmo desalinhados poiticamente. Um depende do outro e os dois fazem o todo crescer.



Que pena ver a minha Paraíba outra vez entrando numa gangorra. Não merecíamos isso. Maranhão já foi governo por 8 anos, Cassio quase isso, não era a hora de apostar no novo? E o que é o novo na política da Paraíba senão o modelo da gestão que a prefeitura da Capital engrenou como nunca se viu nos últimos 30 anos?? Porque não dizer SIM a quem está trabalhando com afinco, dedicação e amor pela causa do povo? E quem tá fazendo isso de verdade, com as contas limpas, sem aquela "sujeira" habitual das nossas "politiquinhas" de quintal é Ricardo, ou eu estou errado? Estou vendo a auto-estima se levantando de novo na cara do povo da Capital.Isso é novo, isso orgulha a gente.



Está ná hora de aprendermos a dar as mãos, antes que seja tarde demais pra nossa velha Paraíba, ou então, seguir esse projeto novo, de ver as coisas com outro tratamento político, de ver escolas funcionando, hospitais, creches, enfim...O que realmente NOVO aconteceu na nossa cidade e porque não, se aliar ao NOVO e fazer com que o Estado cresça??



A Paraíba de Ariano, Zé Ramalho, Elba, Chico Cesar, Augusto dos Anjos, Zé Lins, Nêumane, Anayde e tantos outros é muito maior do que as picuínhas. Pensem nisso!



Vamos repensar as atitudes, cavalheiros!


PS - A outra novidade é o prefeito de Campina Grande, mas confesso não acompanhar de perto o seu trabalho, enfim, daí não opinar. Portanto, se existe "sangue novo" na política da Paraíba, vamos abrir as portas pra esse povo, minha gente!





quarta-feira, 10 de outubro de 2007

O PODER DA TV E O MORTO AINDA QUENTE


Sempre questionei o poder da TV. Mas que há uma força descomunal nesse aparelho que tomou conta dos nossos lares, virou a janela pro mundo, alí na nossa sala, mesmo sem nenhuma...ah, isso há! A TV é tudo alí , de graça, pra você e sua família terem ao toque de um botão:entretenimento, lazer, jornalismo, humor, cultura, novela, filmes, séries, desenhos...Nossa, como é poderosa essa TV!! Teatros no mundo a acusam de furtar seus espectadores (até porque a TV inventou o TELEspectadores), as salas de cinema também jogam pedra na telinha, inclusive diminuindo seus tamanhos para se adequarem aos novos tempos. No cinema a tela é grande, mas platéias pequenas. Com a TV aconteceu justamente o contrário: a platéia é pequena, mas as telas se agigantaram, se digitalizaram. Tudo pra prender o cara em casa. Aí, tudo foi inventado em função dessa máxima: Fique em casa! Tem delivery de tudo hoje em dia! O controle remoto foi inventado e os sofás ficaram mais aconchegantes. Canais pagos agora. 60, 120, 200? Tudo pra não tirar você de casa. E as conversas sempre giram em torno da TV. É o programa do Gugu, o jogo de futebol, a vilã da novela morre-ou-não-morre? As pessoas sabem mais do universo da telinha do que o que acontece na porta ao lado da sua. Uma grande invenção, sem dúvida. Algumas vezes mal usada, apelativa e jocosa, outras poucas vezes, cultural e educativa a TV foi pouco a pouco ganhando espaço (literalmente) na sala, nos quartos, na cozinha, no banheiro. Estar na TV é estar num outro universo...A TV dita moda, modismos, manias e maneirismos. Aparecer na TV já foi coisa de poucos, hoje, na era BBB qualquer pessoa é estimulada a querer aparecer na TV de um forma ou de outra. É a briga pela auto-audiência, o self marketing. Há pouco tempo só quem realemente tinha talento ia pra TV, que era, cheia de exigências. Tarcisio Meira, Glória Menezes, Tony Ramos, Arlete Sales eram parte dessa exigência da TV: Talento acima de tudo. Hoje qualquer Siri, Alemão, FofaBosta tá lá na telinha que tá virando telona mostrando todos os detalhes, por isso a TV de hoje não cabe imperfeição. Só naqueles programas trash de fabricadas brigas de casais. Enquanto se glorificava através do tempo, a TV foi banalizando a morte. Filmes, cadaveres, gente morta em novela, assassinato. Isso foi fazendo com que a população achasse mais fácil morrer. Aceitasse a morte de uma forma inversa. A TV foi ficando invasiva, agressiva e hostil. Pra ganhar o jogo da audiência fácil sai o Vila Sésamo e entram as lourinhas gostosas mostrando além de desenhos, as libido que tanto tentaram esconder das crianças. A busca pela audiência fez a tv ficar mais apelativa, mais crua, menos glamourosa ao ponto nem respeitar por exemplo, a morte de uma pessoa por assassinato ou atropelamento. É preciso além dos detalhes sórdidos de um acidente a fala de alguém da família.Tudo pelo resultado do Ibope. Então tá lá o corpo estendido no chão, ainda quente, e o marido/esposa/filho/parente dando um depoimento frio sobre o que havia acontecido.Se chorar, super close. Se não, a logomarca da emissora no cubo do microfone.O luto virou fade. Corta pro apresentador chamando pra daqui a pouco um canguru escapando de carros de corrida na Austrália. Fim dos tempos? Talvez.Agora respondam: Por que o marido/esposa/filho/parente deu aquele depoimento com o corpo ainda nem no caixão? Porque a TV invadiu a vida privada dele ou porque no fundo-no-fundo o marido/esposa/filho/parente queria aqueles tão famosos 15 segundos de Fama?