sábado, 19 de setembro de 2015

CÔCO OSTENTAÇÃO - A embolada hi tech de Totonho e os Cabra



Em uma entrevista o musico paraibano Totonho disse: "A tradição não tem que ficar trancada no passado, nem em museus. Coloque uma roupagem nova ela se atualiza pras novas gerações conhece-la!" É exatamente isso que ele faz com seu novo disco "Côco Ostentação" faz uma mistura adorável de passado com futuro, dá um choque eletrônico na quenga e traz a tradição de volta como se ela nunca tivesse saído das nossas veias. É Cachimbinho e Geraldo Mouzinho sampleados na  voz forte e marcante de de Carlos Antônio Bezerra da Silva, Totonho, este nascido em Monteiro, de mãe coquista e vivendo entre bodes e cabras. Suas letras aparentemente simples, mostram uma Paraíba, ou melhor uma João Pessoa das bordas, dos subúrbios, das periferias tão perto de cada um de nós. Cheio de participações especiais, ele chama Seu Pereira (do Coletivo 401) pra cantar o bairro da Torre (Eu quero Ver Cancão Piar) com todas as suas nuances e detalhes, dá um sampler em Samuka Duarte pra apresentar a saga da prisão de Mané Bolim dele e de Renato Oliveira com a participação mais que especial do Dj GuiRaiz. Puxa pra suas raízes negras na bela Angola,onde faz sample de boca cantando "a luta só chega ao fim/se a liberdade chegar", traz Yuri Gonzaga (de Os Gonzagas) com sua voz e sanfona suave no meio da batida "singular-singulareza" modernoza de arrepiar. Busca a alma Zelimeriana na "maluca" O Côco Vai Começar ("Jesus, irmão, relaxe, que estresse é esse boy?"). Trafega de trem até Natal com Escurinho em Caiu Uma Bomba Atômica e termina com a embolada leve e gostosa de Safadezinha dele e do guitarrista Alex Madureira. E o disco saiu graças a produção de Buda Lira e Bruno Carneiro

Repleto de referências locais, parece mesmo que Totonho depois de uma longa temporada no Rio de Janeiro e dois discos toma o caminho de volta à sua Paraiba e se encaixa de novo nas esquinas da cidade, do centro histórico a Tambaú. É moderno. É eletrônico. É sampleado mas é côco de embolada de verdade, na sua essência. Excelente disco.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

A ARTE DE ESTRAGAR O QUE FOI FEITO

Me diga uma coisa: Carnaval né frevo, samba e marchinhas? O que tem a ver a banda (ruim que só) "Aviões do Forró com o Carnaval? Pois é. Na-da. Não é uma forma de estragar a folia? Pois é esta nova "atração" do bloco carnavalesco "Picolé de Manga". O interessante é que o bloco é cria do prefeito de João Pessoa Luciano Cartaxo, um dos seus fundadores. 
Paralelamente, é mais ou menos isso que o atual alcaide está fazendo com a cidade. Depois de todo um esforço de duas gestões do então prefeito Ricardo Coutinho para deixar a cidade com outra cara, pra melhor, faço questão de frisar, Cartaxo está desfazendo tudo, por raiva ou por incompetência mesmo. Podem falar o que quiser, mas a gestão de RC à frente dos destinos de João Pessoa foi a mais proveitosa possivel. De forma séria e inteligente a gestão de Ricardo trouxe um ar novo pra cidade que não se via há 30-40 anos. Construiu praças dotadas de equipamentos para ginásticas e anfiteatros, fez o sistema de integração dos ônibus em tempo recorde (3 meses), criou o Empreender JP abrindo linhas de crédito para pequenos negócios, pagou fornecedores em dia, construiu shoppings populares para abrigar os ambulantes que invadiam as calçadas e muitas e muitas outras referências que fizeram de João Pessoa, uma outra cidade.
Agora, o que vemos?
Tudo começando a ser desfeito pela atual gestão, como por exemplo, a volta dos camelôs às calçadas trazendo, claro o caos aos pedestres. Enquanto RC trouxe a dignidade e o respeito pela "coisa pública", até mesmo nos espetáculos e shows patrocinados pelo erário com propostas mais alternativas como Tom Zé, Zeca Baleiro, Buena Vista Social Club entre outros,Cartaxo traz "Aviões do Forró" cujo as letras machistas e sexistas não acrescentam nada a nossa cultura. Esta é a nova obra do prefeito: estragar o carnaval.
Quando Ricardo foi eleito prefeito, a melhor referencia de gestão publica na cidade tinha sido a de Dorgival Terceiro Neto há muitos anos atrás e Ricardo fez e provou que é possivel fazer muita coisa e inclusive com recursos próprios.
Quando Cartaxo foi eleito eu disse a um dos seus eleitores fervorosos: "Olha, cuidado, tem um exemplo de administração positiva muito perto. Ricardo fez muito pela cidade e Cartaxo precisa pelo menos tentar fazer igual". O eleitor do PT disse que Luciano iria fazer melhor.
Tirem suas conclusões.
Ricardo deu a cidade a dignidade pra viver nela. Elevou inclusive a nossa auto estima.
Cartaxo precisa acordar pra isso, caso contrário vai baixar a lona do circo e sair de mansinho da cidade pra nunca mais voltar.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

O afeto com a desgraça

Cristovam Tadeu

Qual a semelhança entre a queda de Shummacher e as cabeças decapitadas dos presos do Maranhão tão propalados pelo jornalismo de hoje em dia? É esse afeto que não se encerra pela busca da desgraça alheia. De uns tempos pra cá há uma necessidade de explorar este tema, pela simples ânsia da audiência. Hoje é o vermelho do sangue que pauteia o nosso jornalismo. Uma pena, claro. Não é de hoje que a violência ficou banal, e, ao invés dos mentores da informação ignora-la, não: correm desesperadamente atrás na base do quanto pior,melhor. Resultado: a violência faz parte do nosso cotidiano como o feijão e o arroz, só que agora ao molho deste líquido viscoso de cor avermelhada que circula dentro de nós.
Não vejo mais forma de isso parar. Sinceramente não. A coisa tomou um rumo sem volta. Na ânsia de vender jornal, a procura por sangue é maior que a dos hemocentros. Antes, enquanto a violência chegava sorrateira (é, ela já foi isso sim), devagar e nos pegava de surpresa, nas escuras da noite e a gente não percebia, "tudo bem". Era trabalho da policia. Mas hoje não, até mesmo antes dos PMs chegarem, há uma câmera registrando tudo pra dividir conosco na hora do almoço este corpo à cabidela crua..
A câmera, esta infalível, que hoje está ao alcance das mãos, trouxe todo este sangue bem rapidinho para o nosso convívio. Os presos do Maranhão em sua chacina filmada por celular davam lições de como usar o foco, o zoom e gravar tudo para as redes nacionais e sociais. Perguntas: Como um celular entrou no presidio de Pedrinhas? Com o celular lá, como permitiram estas filmagens? E como elas foram parar na grande mídia? Responda quem sabe.
Tudo está dentro desta fragilidade do conviver humano, que hoje é assim: pai mata filho, filha mata irmã, alunas se agridem dentro da sala, bandido mata casal por 170 reais, outro mata comparsa por uma pedra de crack. Ba-na-li-zou geral e tudo transmitido em full HD. E tem aquele(a) desgraçado(a) que ainda publica no Face.
Na minha cidade houve uma briga entre dois presos. Motivo? Um tinha sido filmado e entrevistado na hora da prisão e o outro não. Era a tal briga pela audiência.
Até hoje as TVs e os jornalistas buscam marcas de sangue do piloto do F1 nos alpes franceses. Se não tiver o sangue como provar que ele caiu e bateu com a cabeça? Num mundo onde MMA é "esporte" e atraí milhares de seguidores, tal qual Roma e seus "espetáculos" sanguinolentos no Coliseu de outrora, tentar a achar marcas de sangue na neve é fichinha. Vai lá na esquina que "tá lá um corpo estendido no chão".

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Atravessando o meio século




Antigamente, quando eu tinha uns 10-15 anos uma pessoa com 50 anos era considerada uma pessoa velha, ou envelhecida. Não tinha muita perspectiva de vida, até porque àquela época a estimativa rondava em torno dos 70 anos. Então, naquela época uma pessoa aos 50 estava se preparando pro “cadafalso” . Hoje não, com as novas tendências na medicina, alimentação e exercício, muitos 50tões se sentem exatamente como o tempo diz: “no meio da vida”. Pois, é assim que me sinto, um moleque na alma, na mente, apesar  do corpo já dá alguns sinais de fadiga, até natural pra quem caminhou até agora. E caminhar até agora significa que pisamos muito mais por caminhos certos do que errados. Colecionamos amizades e amigos, que permanecem até hoje e outros que se foram, para o andar de cima, ou quando  a amizade não foi sólida suficiente pra seguir junto. Mas nesses 50 anos vivi muita coisa: Acompanhei o rádio Am da Tabajara, depois a TV preto e branco, programa do Chacrinha, Irmãos Coragem e A Praça é Nossa ( com o velho Manoel  da Nóbrega), Chico City, ouvi as primeiras transmissões de rádio FM em Campina Grande, TV Colorida onde passamos a rever os nossas séries preferidas: Viagem ao Fundo do Mar, Perdidos no Espaço e Terra de Gigantes, Jeanne é um Gênio, A Feiticeira, os desenhos da Hanna- Barbera, em cores inclusive o rosa da Pantera. Cinema foi a maior diversão: Ví filmes no Cine Plaza (Ponto Cem Réis) Cine Municipal (Perto da Praça do Bispo), Cine Brasil (Praça Aristides Lobo), Cine Metrópole (Perto da Energisa) onde as quintas feiras tinham dois filmes pelo preço de um e o meu preferido, que já tinha platéia “arena” o Cine Tambaú, no hotel do mesmo nome. Tinha sessão de arte no cine Municipal, sábado às 10 da manhã onde aos 14 anos vi “2001, Uma Odisséia no Espaço” e confesso que saí de lá meio sem entender muito.
Fiz o primário no Grupo Escolar José Vieira (Ao lado do Espaço Cultural), ginásio no Colégio Sesquicentenário, científico no colégio Bairro dos Estados, e na UFpb fiz Artes (Licenciatura em teatro) e Comunicação Social – Jornalismo . Chargista e quadrinhista, já desenhei em quase todos os jornais da PB, desde os 20 anos em algumas revistas locais como A Carta e A Semana e até encaixei material no extinto Pasquim e na Folhinha de São Paulo.
Tive Telejogo, Atari, Mega Drive, Sega CD, 3DO, Play 1, 2 e Xbox 360, contabilizando aí muitas e muitas horas na frente da TV só pra passar de fase.
Sou ator e humorista. O ator veio primeiro em 1979 quando entrei pro elenco da peça “O Dia em Que Deu Elefante” de Marcos Tavares e direção de Tânia França. Puxado mais pro lado da comédia cheguei a trabalhar em várias comédias e peças infantis. Meu primeiro show de humor foi “Pra Morrer de Rir” em 1982, embalei e fiz mais de 18 shows diferentes ao longo desses anos.
 Em TV fiz centenas de comerciais, fui um dos pioneiros a gravar comerciais pra TV aqui em João Pessoa, trabalhei em São Paulo na rede Band ao lado de Costinha, Zé Vasconcelos, e tantos outros. Entre 2005 e 2010 participei do Show do Tom (Rede Record) imitando Caetano Veloso, entrei no palco de Ana Hickmann pra imitar umas pessoas durante 5 meses entre dezembro de 2011 e Abril de 2012.
Em bares passei mais horas “perdidas” do que jogando videogame. Travessia, Estação, Ultima Sessão,  Gambrinus, Baiano, Bar da Xoxota,   Peixe Elétrico, Feijoada do Bigode, Cantinho da Feijoada, Café Piu-Piu (SP) Amarelinho (RJ) só pra começar a contar. Lugares maravilhosos onde em troca do vil metal saí embriagado de cerveja, vinho ou uísque e muito papo bom!
Namorei muito. Todas me ensinaram muita coisa apesar de ser meio nômade de mulheres. Namorei filha de médico famoso e filha de pedreiro. Mulher casada? Umas duas. Duradouro? Uns 3 anos com uma só. Namorei francesa, italiana e uma americana veio morar comigo (depois o “doido” sou eu!). Paulistanas, Carioca, Recifense, Curitibana, Cajazeirense, tenho uma mapa do amor no meu coração.
Filhos? 3. De três relacionamentos. Lindos e maravilhosos. Daniel (19), Luana (14, que mora comigo) e Luiza (12), ainda escrevi duas peças de teatro, algumas revistas em quadrinhos e plantei muitas árvores por este mundo à fora.
Acompanhei a evolução do celular: desde o “tijolão” até os smartphones embora nesse último careça de mais informação pra aprender a “bulir”. Sou do tempo do videocassete e hoje aprecio o blu Ray e uma TV grande, embora saiba que o cinema é (e será) insuperável, pois não conheço ninguém que tenha uma tela daquele tamanho na sala de casa. O e mail é minha linha de comunicação direta, mas já mandei (e recebi) muita carta e aerogramas. Você sabe o que é um FAX? Eu vi os primeiros, bem depois da revolução da máquina de escrever Olivetti elétrica. Sou do tempo do stêncil à álcool e à óleo onde aos 14 anos entrei pro ramo dos donos de empresa de comunicação e fundei o meu primeiro (e único) jornal “O Lixo” onde fazia de editorial à faxina depois de imprimi-lo sorrateiramente usando um mimeógrafo cedido por uma tia minha na escola onde ela trabalhava.
Não tenho o que reclamar da vida. Ela é maravilhosa. Já tentei achar Deus em todo canto, mas fiquei ainda mais feliz que ele ta aqui bem perto dentro de mim. Sempre digo: “tenho  o celular de Deus e ligo pra ele muito menos pra pedir e mais pra agradecer.”
Meus maiores presentes são os amigos que fiz ao longo desses anos. Os fiéis, os dissimulados, os bons, os maus, os da cachaça, as beldades, as menos belas, os falsos, os da hora, os que nunca chegam na hora, os que Deus levou, os que outros caminhos levaram, enfim, AMIGOS é uma experiência múltipla que todo mundo tem que participar! Afinal, como diz Dominguinhos: “Amigo a gente encontra/O mundo não é só aqui”